SUICÍDIO E FILOSOFIA
O Equívoco do Suicídio: Por que a Morte não é o Fim para Schopenhauer
Muitos adolescentes buscam em Schopenhauer uma autorização para o fim, mas se lessem com atenção, encontrariam um aviso desesperador: o suicídio não resolve o problema da existência.
1. O Suicida afirma a Vida, não a nega
Schopenhauer é enfático: o suicida não quer morrer; ele quer viver de uma forma diferente. Ele ama a vida, mas odeia as condições que lhe foram impostas. Ao destruir o corpo, ele está apenas tentando fugir de um sintoma (a dor), mas a causa (a Vontade de viver) continua intacta.
É como o aluno que rasga a folha de prova porque não sabe a resposta: o problema continua existindo, ele apenas destruiu o papel.
2. O Ciclo Interminável: A Vontade é Indestrutível
Para Schopenhauer, o "Eu" biológico morre, mas a "Vontade" (essa força cega que gera desejo e sofrimento) é eterna. Ele acreditava que, enquanto o indivíduo tiver o desejo latente, ele continuará voltando a existir em outras formas, em outros corpos, em outros ciclos de dor.
O suicídio é uma interrupção bruta, mas não é uma libertação.
- A única forma real de "deixar de existir" (no sentido de cessar o sofrimento) não é matando o corpo, mas aniquilando o querer.
3. Parar de Existir é "Não Querer" (A Ascese)
Aqui está a verdadeira saída de Schopenhauer, que exige muito mais coragem do que o suicídio: a Negação da Vontade.
Ele propõe que a libertação vem pelo caminho do santo ou do asceta: olhar para o desejo e dizer "não".
É o estado de quietude, onde você deixa de ser escravo das suas vontades.
O suicida faz o oposto: ele age sob o impulso de um desejo violento (o desejo de não sofrer). Portanto, ele ainda é um escravo da Vontade.
4. A Falta de Lógica do Adolescente "Schopenhaueriano"
O jovem que se mata "por causa" de Schopenhauer comete um erro intelectual crasso. Ele usa uma filosofia que prega a superação do desejo para realizar o ato de desejo mais radical que existe. O suicídio, para Schopenhauer, é um fenômeno inútil: você quebra o espelho (corpo), mas a imagem (vontade de sofrer) permanece no universo esperando o próximo espelho para se refletir.
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"O adolescente que se ancora em Schopenhauer para justificar o fim está, na verdade, batendo na porta errada. Schopenhauer não oferece a morte como saída, ele a oferece como uma ilusão. Ele nos diz que o suicida é aquele que, por não conseguir dobrar o mundo ao seu querer, tenta destruir a si mesmo , sem perceber que a 'Vontade' que o tortura não morre com o último suspiro. Para deixar de existir, para realmente encontrar a paz, Schopenhauer não pede o veneno ou a corda; ele pede a renúncia. Ele pede o fim do 'querer'. O suicídio é barulhento; a libertação é o silêncio do desejo."
nO LIVRO TRAVESSIA ENTRE PERDAS É EXPLORADO , A QUESTÃO DA MELANCOLIA E DOENÇAS QUE LEVAM AO SUICIDIO.